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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Seres asilados é uma descompaixão absurda


Silêncios /gritantes /aos uivos/
Perturbam-lhes/ sem cessar/
Os seus dia a dia/totalmente/ vazios/
Sem lampejo algum de esperança real!

-Ausências /magoadoras/à beça/
Uivam-lhes/ n’alma carente/
Transbordantes de porquês/
Sem respostas algumas!

-Solidão /impertinente/pacas/
Cavalga-lhes o coração /choroso/
Sem sequer se dar conta de suas dores/
Doloridíssimas/ aos suplícios!

,-Melancolia /constante/sem pundonores/
Entedeia-lhes/ sem dó/ o cotidiano/estagnado/
Desconsiderando os sonhos que têm/ aos borbotões!

-Descompaixão/ irredutivelmente/escrota/
Cerceia-lhes o sonhar /dias alvissareiros/
Em que pudessem partilhar ternura/à beça/
Torna-lhes também/ hirtos/ face o pra quê tecer quimeras/
Se não têm/deveras/ como compartilhá-las/aos montes/
Com quem os deveria querer bem/ ou amá-los/muito!

-Aparte isso/saibam/ seus asiladores/ desalmados/
Que/eles/ o asilados/ sentem-se/totalmente/ nascidos/
-Desde que deram seus primeiros berros no proscênio da vida–
Para o imensurável espantamento do mundo/belíssimo/
Feito de convivências /carícias/ e partilha de amores/ sem fim!

RELMendes  18/01/2018

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Sertão Sedutor


Assunta só!...

-Melancólico/ à beça/
Não sei eu bem o porquê...
Ponho-me a escarafunchar
Vínculos /de há muito/com o sertão!
Nem sei/ eu/tampouco//por que
Persisto... em viver aqui...
Nesse tão lindo e sedutor sertão!

-Assunta só!...

-Ôxe!Tá me saltando da boca/nesta horinha/
A vontade de responder-me tantos porquês:
- Há motivos de sobra...aos borbotões/
Que me fazem aqui permanecer/insistentemente:
- Uns sedutores/até demais da conta/
- Outros /nem tanto quanto se pinta/
Mas a gente/ mesmo assim/ os pinta/
Bem bonitos/só pra num d o braço a torcer!

Assunta só!...

Aqui me afinquei/ por teimosia/
E afincado aqui/quer queiram/ ou não/
Vou ficar... Até que aprova a Deus/
Para o Céu me chamar/ Claro!...
Mas/ enquanto houver nesse sertão:
- Ternos/ nas folias de reis...
- Festas de São Benedito... São João e São Pedro...
- Catopês... Marujadas e Caboclinhos...
- Carne de sol/  pão de queijo...
- Feijão tropeiro e pequi...
- Som de viola enluarada...
- Cantigas de “Seresta”...ao ar livre/
- “Psiu” Poético com versos /aos borbotões
-Luar... a alumiar-me/ à beça/
E a clarear estradas...por onde eu deva passa/
Eu juro/não sairei daqui/nem que a vaca/ tussa!

Assunta só!

-Vou ficar aqui/sim!...
Mantido o ecossistema/ belíssimo:
-“Veredas” refrescantes/aos borbotões/
E muitos frutos do cerrado/ pra se saborear
 - Umbu/ coquinho/ mangaba/
Buriti/ panã e pequi...
Pode ter certeza/ absoluta/
Persistirei em ficar aqui...
Cravado/ nesse lindo/ rincão!.

Assunta só/ finalmente!..

-Vou ficar aqui/ sim!...
Porque aqui / nesse belo/ “Sertão“:
- É onde se planta vida...
- É onde se enterra o corpo...
- É onde/sobretudo/ se espera/ contente/
A dita ressurreição!

Montes Claros, 22-11-2011

RELMendes

A saga de amor de uma “Sempre-Viva” do agreste


-Dentre as muitas/ mimosas/ “sempre-vivas”/,
Que/ graciosas/ enfeitam a rústica paisagem
Deste amado sertão /agreste/
Há uma que/ por ser/ de todas/
A mais formosa /singela e corajosa/
Não hesitou em desabrochar/ luminosa/
No famoso jardim dos ressabiados /Mendes/
Pra orná-lo de alegria...aos borbotões/
E orvalhá-lo de ternura...aos montes!

-Com porte... e nome /de rainha...
Altiva/Beth palmilhou /sonhadora/ ..
Por entre Rochas e Mendes/
Polvilhando-os /a todos/de esperanças.

-E porquanto/ e muito mais/ainda/Beth/
A luminosa “Sempre-Viva” do agreste/
E seu namorado /quase sempre/ emburrado/
Foram tecendo/pouco a pouco/ sua saga de amor:

- Pelo lago sereno de seus olhos /enamorados/
Navegou/ encantado/ meu irmão Charles
(Por nós cognominado:- o cabo véio da Beth),
Por quem /até hoje/ os sorridentes /olhos/
Dessa luminosa “Sempre-Viva” /do cerrado/
Marejam/vez por outra/ lágrimas/ preciosas/
De uma interminável saudade...

Montes Claros, 24-01-2013
RELMendes


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

O PRIMOGÊNITO DE SEU PAI

(Celinho)


-Como momentos de felicidade nunca fenecem
- Porque //verdadeiramente/eles são eternos  -
Sempre me deparo com aquele indescritível momento
Em que meu peito acolhedor rasgou-se/ em ternura/por ti/
A noite generosa se bordou de estrelas/ reluzentes/
E a lua cheia/ sem constrangimento/ deslumbrada/
Se debruçou na janela de minha inenarrável alegria
Só para te saudar/ ò amado primogênito de seu pai!

-Ah/ Celinho/desabrochaste/ meu querido filho/ primogênito//
 No solo aconchegante da Terra/essa nossa casa comum
Com os olhos esbugalhados de surpresas /tantas/
E cumprimentaste/ aos berros/ naquela noite inesquecível/
A vida radiante de luz/à beça/simplesmente/
Porque era primavera em chegada!.

Montes Claros (MG), 21-03-2013
REL Mendes

QUIMERA/ quase um nome de mulher

À minha filha Tatiana



-Ah/ degustei n’alma muitas quimeras!
Mas quase todas/oh/eram apenas
Um punhado de utopias/irrealizáveis/
E nada mais/ enfim!

-Mas ela/ minha Quimera-menina/
Era um grãozinho de Esperança
A decorar/ todo dia/ de alegria/
O jardim de minh’alma sempre feliz/
Desde seu desabrochar/em minha vida/
Toda sorrisos... Vivacidade/
E plena de matreirice/ jocosa!

-Seus olhos/ah/ seus olhos eram/
E ainda o são/pura alegria a valsar/
E de discutível inocência/também!
Mas eles/ seus olhos/brilhavam/ brilhavam/ à beça!
Ou melhor: - Cintilavam/ Lampejavam/sem cessar/
Como se fora estrelas cadentes a rasgar os céus/
Brincando de pirilampos/ em noite de luar!

-Ah/ minha Quimera-menina não era /tão-somente/
Um simples fruto de minha fértil imaginação não!
Ela/ minha Quimera-menina/é/ foi/e sempre será/
Uma pessoa linda/ valente/ e/totalmente/destemida/
Pois desde muito pituchinha se impõe /altaneira/
Como quem sabe que é gente capaz de escolher
Seus próprios quereres!

-E/por isso mesmo/ ainda hoje/ela/
Minha Quimera-menina/ alumia-me a alma
E o meu peito/ assaz/ lembrador/
Que muito plangem/ de saudades dela!

-Para mim/ela/minha Quimera-menina/ muito amada/
Era/ é/e sempre será/ a própria face/lampejante/
De um futuro/assaz/ promissor/por demais/
- nem sempre pude acompanhar /o passo a passo/
De seu encantador acontecer/ em plenitude -
Pois sua inteligência/assaz curiosa e sagaz/
Desde bem cedo se deu a perceber...a olhos vistos/
Sem/ contudo/ se fazer de arrogada... Jamais!

-Hoje/ porém/ minha Quimera-menina/tão amada/
Após desabrochar-se /em Quimera-moça/bonita/
Fez-se uma bela e batalhadora mulher-mãe/amorosa/
De dois bons e belos jovens/ estudiosos/
Para o deleite de todos nós que a amamos/
Demais da conta sô!

RELMendes  30/03/2017


O TERCEIRO REBENTO DE SEU PAI

A meu filho Zeca Veloso Mendes

-Ainda não se esvaiu/ em minh’alma paternal/extasiada/
A imagem/nítida/daquela tarde feliz / da tua chegada/
Em que meu peito escancarou-se ao Amor/pleno/
E derramou-se em sonhos/ muitos/ e devaneios/ mil/
Para acolher-te por inteiro/sem reserva alguma/
Ó meu terceiro amado rebento/Zeca/
Muito bem-vindo!

-Não chegaste/ de repente/tenho por certo/isto/
Nem tampouco/ inesperadamente/afirmo!
Pois de há muito/ já vinha eu tecendo-te/
- Cuidadosa / carinhosa e secretamente –
Em meu/ desvairado/porém lúdico/universo
Imaginário paterno/ a ti esperar/ansiosamente!
Portanto/ já existias em mim/pulsando vida/
E vida em chegada/ brevemente/
Ò meu terceiro amado rebento/Zeca/
Muito bem-vindo!

-Foste tu/ Ò meu terceiro amado rebento/ Zeca/
O protagonista artesão/do acontecer/ da mais linda tarde
Que /no escorrer de minha vida/vislumbrei e saboreei
Vez que trouxeste/juntamente/ contigo /também/
A doce sensação de completude/indescritível/
E a certeza de um futuro venturoso/ a nos sorrir!
E agora José?

RELMendes 22/03/2013


A MENINA DE SEU PAI



-Ò amada menina de seu pai/
- Precioso presente dado-me pelos os céus  -
Saiba que/ desde bem jovenzinho/mesmo/
Sempre sonhei contigo/tal qual  és!
Chegaste! E logo tua faceirice/ deliciosa/
Fascinou-me/ Completamente!

-Ò/ amada menina de seu pai
Esses teus olhinhos/ rasgados
Sorridentes e sorrateiros/
- de menina sapeca e dengosa –
Lembro-me/verdadeiramente/bem/
Eram / veementemente/firmes/ até/
Ao se fixarem em alguém/que te contrariava/
Ou em alguma coisa que/por ventura/
Querias ou não/simplesmente!
Mas também se debulham /em lágrima/aos borbotães/
- Ah/ e como se debulhavam! -
E quando/por um algum motivo / te magoavas/
Eles/ os teus olhinhos/ah/ se entristeciam/à beça.
Porém /eram sempre muito doces e suplicantes/
Ao pedires o que amavas ou muito almejavas/na hora/
Vez que eles sempre expressavam os desejos
Que n’alma escondias!

-Ah/ essa amada menina de seu pai/
Tinha um jeito /de se fazer entender/
Que era/exclusivamente/ seu:
- Quer na obediência/discutível/
- Quer nas danadices/ constantes/
Mas não abria mão de seus desejos/nunca/
Podia até se calar/emburradinha/ às pampas/
Entretanto/ não desistia de seus intentos/jamais!

-Ela/essa amada  menina de seu pai/
 Ama/intensamente/ discute/com ou sem motivos/
Peleja / à beça/ ao esmerar-se em seus afazeres/
Aprende tudo/com rapidez e presteza/
Mas/ definitivamente/ só faz o que quer/
E quando não quer/ah/ indignada se esconde/
Por vezes até/ deita-se aborrecidíssima/
Porém/ de repente/espalhafatosamente/
Ressurge  saltitante/ a borboletear  entre flores
E hortaliças verdinhas  de seu quintal
Como se nada tivesse acontecido.

-Ò  amada menina de seu pai/
Agora presta bem atenção aqui/
- diz-lhe a sorrir /seu pai/ sonhador –
De há muito eras /ansiosamente/ esperada/por mim/
Porquanto/de verdade/ desde bem jovenzinho/
Eu te tecia/secretamente/ em minh’alma/amorosa/
Vieste/sou tudo/ e isto/ basta-me!


RELMendes  O2/09/1980