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sexta-feira, 9 de junho de 2017

NÃO SE DESESPERANÇAR... JAMAIS!



Tudo tão /de manhã/
Tudo tão /em partida/
Tudo tão /em chegada/
Tudo tão/ inconstante/
Tudo tão /desimportante/
Tudo tão / ostentante/
Tudo tão /bestializante/
Tudo tão desvestido/ de real/
Tudo tão não sei /quem é quem/
Tudo tão /renegável/ a todos/

Senão/ exceção /a mim/ que não renego/nada/
Nem a Vida/ que em mim/ amanhece-se / vibrante/ainda/
Nem a Chuva/ que em meu telhado/insistente /tilinta/
Nem tampouco /os Passarinhos/ que a gorjearem/ em minha varanda/
Despertam-me /esperançado/ à beça/ e /trepidante/ de Alegria/
Ora! Simplesmente / nada renego /hoje//porque/hoje/
 Amanheci-me / totalmente/... VIVO!


RELMendes 01/06/2017

SONHOS ESTRAMBELHADOS



De esguelha/ sonhos /espiam-me.../
E volteiam-me /de ilusões/ brincalhonas:
- Enxotar o crepúsculo /decadente/
Para que a noite se achegue / bem alcoviteira/
- Acender as estrelinhas /do firmamento/
Para enfeitar as asas das mariposas /solitárias/
- Beber água de sereno /em taças de bromélias/ encantadas/
Para embriagar-me de loucuras /de amor/
- Espiar /sorrateiramente/ (com imensa inveja!)
As carícias abusadas /dos namorados/
Pelos desvãos /escuros /da madrugada enluarada/
- Apagar o alvorecer /antes que a noite se espante/
E  /sobretudo/  reter o tempo dos desfrutes da vida..

Ah! E como se não bastasse/
Estou sonhando /em desparafusar a lua/
E surrupiar-lhe /o clarão do luar/
Para clarear a alcova /enfeitada/de margaridas silvestres/
Em que me lambuzo /de amor/ com a vizinha/
Lá naquele terreno / baldio/da adolescência traquina.

Montes Claros (MG), 03-06-2014

RELMendes

Ou espiamos atentos/ ou perderemos as Surpresas



-De repente /se descobre/ espantado/
 Que o dia se desgastou/ em tarefas/
E o tempo criou /asas /e simplesmente/ voou!
- O crepúsculo apagou-se / totalmente/
E nem percebemos/ o fato/ intrigante!
- A noite fez-se mulher /bem ali/
Diante /de nossos olhos/ desatentos/
Que nem marejaram /sequer/
- O alvorecer resplandeceu/ lampejante/
Por debaixo da saia breu /da noite/
Que o parira /ao apagar /das estrelas/
E incandesceu/ de luz/ o nosso Sertão!

-E nós /ah / nós nem nos apercebemos/
Dessas /tantas / belezuras/ generosamente/
Dadas/ a nós / no transcurso/ do dia/
Que /acelerado/ nunca espera/ jamais/
O despertar/ d’alma / distraída/ de seu ninguém!

-Pois sempre estamos/ em demasia/
Absortos / em torpes/ maracutaias/ cotidianas/
Que nos impedem /de espiar / extasiados/
O que / deveras/ enfeita /o dia a dia/ a todo instante/
Com suas incontáveis/ lindas/ Surpresas!

-Mas que tolice /a nossa/ hein?!


RELMendes 03/06/2017

quinta-feira, 1 de junho de 2017

A propósito de uma observaçãozinha de Tristão

(O Alceu o pensador do Brasil a época!)



O ilustre /pensador/ sem nunca ter /se ensimesmado/
apesar de seus /muitos/ títulos:  -..(nacionais e internacionais)
e de seus inúmeros dotes/ intelectuais/... e de sua imensa /nobreza de caráter/ – porque era gente boa /de verdade/ e um ser humano / impar/ -Quer quisessem /quer não/ sol a pino/ ou a garoar / fino e frio/ - que chegava a molhar /o chão/ o corpo/ e, por que não dizer/ a alma/ - todas as manhãs /após as aulas/  até sua aposentadoria /em 1963/ lá estava ele na calçada /em frente ao prédio da PUC (SP) / por ele fundada/ a papear com seus pupilos/ acerca da vida/ e do sentido dela.
Numa dessas inesquecíveis manhãs/ um aluno /desses do tipo/ mais afoito/  questionou-lhe:

- “Mestre/ por que seus ilustres colegas são tão /sisudos/
e sempre evitam manter um contato /mais direto /conosco?"

Meio que /espantado/ - a pesar do intenso brilho de seus olhos /serenos/ - com ar de criança /desconcertada/  e  como que pego /de surpresa/ sorriu um pouco /constrangido/ e respondeu-lhe /questionando-o:

“Você sabia que as madeiras /envernizadas/
têm medo /de qualquer coisa/ que as possa arranhar?” 

E despediu-se /sorrindo/... 
Como o fazia todas as manhãs...
Moral da estória:
Quem escuta atentamente/ sempre aprende
Algo de muito /útil/ nas calçadas da vida!!!

Montes Claros (MG), 04-03-2014
RELMendes


sábado, 27 de maio de 2017

O motim das florzinhas do meu jardim... (qualquer coisa as alucina! )


Perturbadíssimas...
As florzinhas do meu jardim:
- Miosótis... Violetas... Rosas... Margaridas... Jasmins...
Balbuciam!... Fuxicam!... Discutem!...
Suspiram...  /Ais  /Profundos!/
E sussurram... /Se’s  /Intermináveis!.../
O que lhes terá surrupiado a paz?
Por que / entre si/ lamuriam-se / tanto.../hein?

Ah! Devem estar /irrequietas.../Penso eu/
Porque / quiçá/ não as aguei /ontem.../ Ora!
Ou/ então/.../ tão-somente/
Porque o calor/ insuportável/ do Sertão
As incomoda /sobremaneira.../ Ara!
(Imagino / eu/ cá com meus botões!)

Mas... / tenha por certo/
Ainda que/ enroscado/ em afazeres/ tantos/
Vou até lá... observá-las /de soslaio/
E curiá-las / bem atento/
Pra tentar/ escutar/ o que tanto/ balbuciam.../ entre si/
Ah se vou!...

Mas que bagunça é essa... meu Deus?!...
Queixam-se/ de tudo:
- De colibris /sedentos...
- De abelhinhas/ irrequietas/ a zunir...
- De assanhaços /saltitantes...
E/ até / dos bem-te-vis /
E dos sabiás /cantadores/ Pô!...

Então, pasmem!...
Ao perceberem-me...
(Porque /frenéticos/ gorjeavam/ os pássaros.../)
As florzinhas disseram-me:
Só desejamos/ apenas/ degustar uns pedacinhos
Daqueles /“bolinhos de chuva”/
Que acabas de fritar.../ lá  na cozinha/
Porque o aroma /deles/ está a nos ensandecer!...

Ora, direis: -  DU...VI...DÊ...Ó...DÓ!
Mas que sandice é essa, meu?...
Flores não falam!
E eu/ vos direi/ no entanto/
Que as florzinhas conversam.../ Sim/
Ah se conversam!...
(Sobretudo/ as do meu jardim!)

Montes Claros (MG), 08-11-2013

RELMendes

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Um jeito barroco de ser e de viver!




 Nas curvas e /contracurvas/
Do apressado /cotidiano /da Vida/ barroca/
Há momentos /de muita Sombra/:
- Ansiedade!... - Angustia!... -Tristeza!...
- Dissecação/ de cadáveres! - Peste Negra!...
Mas há// também/ rápidos /
E /abundantes / momentos/ de luz /claridade!/
/ como se fora Epifanias!/
Bem como/constantes e ininterruptos / momentos/de vida vida /
A contrastarem  com aquela /explicita/ morbidez /constante/:
Uma santa ceia /esplêndida!.../
Um candelabro /aceso/ no teto!...
Um enxame de anjinhos /bochechudos/ a esvoaçar/ pelo salão/
(após transpor /um “olho de boi/ em pedra sabão”!)
Uma mão a coçar /o orobó /repleto/ de oxiúros/ irrequietos;
Um cachorro/ e um porco a vasculhar /o lixo/ à cata de alimentos;
Um fiapo de catarro /a escorrer /do nariz de um garotinho/ imundo/
Que se arrasta/ sem cessar/ pelo chão/ a berrar;
Um idoso(a) / peidorreiro (a)/ tentando /disfarçar/ o mal cheiro/
De sua inoportuna/ flatulência/ impertinente/ ao ambiente;
Umas belas /serviçais/ a se movimentarem/ graciosas/ colhendo vinho/ Nas talhas/
(Ah,não faltam /tampouco/ gestos /exagerados/ a se derramarem/ em cena!)

Esse dia a dia / pictográfico/ do barroco/ ah/se veste
De uma/ hilária e encantadora/ multiplicidade /de detalhes/
(que /a nós/nos permitem entrar/ na obra/ e não só /observá-la/
porque / ela esconde/ quase que/totalmente/ seu ponto de fuga!)
Em que /cada pessoa/ cada objeto/ cada coisinha/
(aparentemente/ insignificante/)
Destaca-se /sobremaneira/ no mesmo espaço/
E /ao mesmo/ tempo!

O tal jeito barroco/ de ser e de viver/
É um não /ao “mais do mesmo” /renascentista/
É um /intenso e denso/ movimento /envolvente/
É uma interação/ total /entre o humano e o divino/
É /enfim/ uma inclusão /fantástica/ entre tudo/ e todos!...

Montes Claros (MG), 12-12-13
RelMendes

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Meu Recanto



Ah! O meu recanto
É uma casinha limpinha
Toda caiadinha de azul celeste
E rodeada por um perfumado
Roseiral em flor e sombreado
Por um pé de Flamboyant a florir
Sem economias!

Ah! O meu recanto
É uma casinha límpida
Que prima pela transparência.../absoluta/
Quiçá pelo meu amor à verdade
Que por vezes / ao ser dita/ dói à beça
Mas sempre alumia meus passos
Por onde quer que eu vá /caminhando/.

Ah! O meu recanto
É um lugarzinho repleto de paz
Sem maledicência /alguma/
Porquanto/ nele/ não há lugar
Pra desavenças /tolas /
Nem pra /más/ notícias
Nem pra intrigas /deploráveis/
Nem tampouco pra /infindáveis/
Lamúrias /descabidas/...

Entretanto.../ah/ nele se tem
De sobra:
Ternura... Delicadeza,
Gentileza e muita Alegria
Que é tudo que se precisa
Pra se polvilhar de felicidade
O nosso dia a dia
Pela Vida inteira...

Então por tudo isto
E muito mais ainda
É que ele//o meu recanto/
Transborda de serenidade
E benevolência... Infindas!

Ah! O meu recanto
É uma porta sempre aberta
Que a todos.../generosamente/
Acolhe /com imensa ternura/
Pra ouvi-los silenciosa
E atenciosamente,
E depois.../como se fora  uma seta/
Apontar-lhes caminhos
E mais caminhos...

Ah! Por fim: - O meu recanto
É um bolo confeitado...
Daqueles que só a vovó
Sabe fazer...ora!

Montes Claros(MG), 17-09-2007

RELMendes