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sexta-feira, 30 de março de 2012

Selma Reis

Selma Reis (São Gonçalo, 1960) é uma cantora e atriz brasileira.
Desde pequena, Selma Reis participava de rodas de serestas promovidas por sua família em sua casa. O que já demonstrava a sua afinidade com a música. Logo após cursar a faculdade de Comunicações, se mudou para França, onde lá pode estudar "Música e Técnica vocal". De volta ao Brasil, gravou o seu primeiro disco em 1987 "Selma Reis". Em 1993, gravou em Londres um excelente disco com arranjos pomposos, preparando o terreno para a chegada em 1995 de um também excelente disco "Todo o Sentimento". Desta vez, um disco mais intimista, apenas acompanhada por um piano. Em 2003, lançou o álbum "Vozes". Resultado de um show gravado ao vivo no Teatro Rival, RJ, onde a cantora dividiu o palco com o cantor Cauby Peixoto em uma belíssima temporada carioca de shows.
Selma nunca se prendeu a caprichos de gGrandes gravadoras, tendo seus trabalhos sempre enfocados em suas escolhas pessoais, como o caso do ousado projeto "Sagrado" - 2007, onde a cantora apresenta um repertório de canções sacras. Disco que foi originalmente gravado dentro da nave central de uma igreja.

Na televisão

2009 - Caminho das Índias .... mãe de Hamia
2006 - Páginas da vida .... Irmã Zenaide
2001 - Presença de Anita (minissérie) .... cigana
1999 - Chiquinha Gonzaga (minissérie) .... cantora

Como cantora

2007 - "Sagrado" - Deck Disc
2003 – Vozes (Selma e Cauby Peixoto) - Albatroz/Trama
2002 - Todo Sentimento (relançamento) - Albatroz/Trama
1999 - Ares de Havana – Velas/Universal
1996 – Achados e Perdidos – Velas/PolyGram
1995 – Todo Sentimento – Mza/Wea
1993 – Selma Reis - PolyGram
1991 – Só Dói Quando Eu Rio – PolyGram
1990 – Selma Reis - PolyGram
1987 – Selma Reis – Selo Independente/LScomm/PolyGram

Maiores sucessos

1990 - O Que É O Amor
1990 - Estrelas De Outubro
1991 - Sombra Em Nosso Olhar
1992 - Deságua
1993 - O Preço De Uma Vida
1993 - Se bastasse uma canção
1995 - Emoções suburbanas
1996 - Nossa Paixão
1996 - Feliz
2007 - Ave-Maria

quarta-feira, 28 de março de 2012

Morre escritor Millôr Fernandes aos 88 anos

Millôr foi dono de talento multifacetado  / Marcos de Paula/AEMillôr foi dono de talento multifacetadoMarcos de Paula/AE

Morreu na noite dessa terça-feira, dia 27, no Rio de Janeiro, o escritor carioca Millôr Fernandes. Ele tinha 88 anos e teve falência múltipla dos órgãos em sua casa.


A informação foi confirmada no perfil no Twitter da editora do escritor, a L&PM. Na rede social, a equipe da editora lamentou o fato: "Que dia triste! O grande Millôr Fernandes morreu esta manhã, aos 88 anos".


O corpo de Millôr será velado nesta quarta-feira, dia 28, no cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na zona portuária da capital fluminense, a partir das 15h.


Em 2011, o escritor foi internado duas vezes na Casa de Saúde São José, também no Rio, mas os motivos da internação não foram divulgados.


Em entrevista ao canal GloboNews na manhã de hoje, o jornalista Zuenir Ventura lamentou a morte do amigo. "É realmente uma perda. A perda de um gênio. É uma perda para o jornalismo, para o teatro, para a literatura, porque o Millôr fazia tudo", afirmou.


Carioca do Méier, nasceu Milton Viola Fernandes, tendo sido registrado, graças a uma caligrafia duvidosa, como Millôr, o que veio a saber adolescente. Aos dez anos de idade vendeu o primeiro desenho para a publicação O Jornal do Rio de Janeiro. Recebeu dez mil réis por ele. Em 1938 começou a trabalhar como repaginador, factótum e contínuo no semanário O Cruzeiro. No mesmo ano ganhou um concurso de contos na revista A Cigarra (sob o pseudônimo de "Notlim"). Assumiu a direção da publicação algum tempo depois, onde também publicou a seção "Poste Escrito", agora assinada por "Vão Gogo".
Em 1941 voltou a colaborar com a revista O Cruzeiro, continuando a assinar como "Vão Gogo" na coluna "Pif-Paf", o fazendo por 18 anos. A partir daí passou a conciliar as profissões de escritor, tradutor (autodidata) e autor de teatro.
Já em 1956 dividiu a primeira colocação na Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires com o desenhista norte-americano Saul Steinberg. Em 1957, ganhou uma exposição individual de suas obras no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Dispensou o pseudônimo "Vão Gogo" em 1962, passando a assinar "Millôr" em seus textos n'O Cruzeiro. Deixou a revista no ano seguinte, por conta da polêmica causada com a publicação de A Verdadeira História do Paraíso, considerada ofensiva pela Igreja Católica.
Em 1964 passou a colaborar com o jornal português Diário Popular e obteve o segundo prêmio do Salão Canadense de Humor. Em 1968 começou a trabalhar na revista Veja, e em 1969 tornou-se um dos fundadores do jornal O Pasquim.
Nos anos seguintes escreveu peças de teatro, textos de humor e poesia, além de voltar a expor no Museu de Arte Moderna do Rio. Traduziu, do inglês e do francês, várias obras, principalmente peças de teatro, entre estas, clássicos de Sófocles, Shakespeare, Molière, Brecht e Tennessee Williams.
Depois de colaborar com os principais jornais brasileiros, retornou à Veja em setembro de 2004, deixando a revista em 2009 devido a um desentendimento acerca da digitalização de seus antigos textos, publicados sem autorização no acervo on-line da publicação.[3]
Em 27 de março de 2012, Millôr Fernandes faleceu aos 88 anos em decorrência de falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca.
Obras

Prosa
Eva sem costela – Um livro em defesa do homem (sob o pseudônimo de Adão Júnior) - 1946 - Editora O Cruzeiro.
Tempo e contratempo (sob o pseudônimo de Emmanuel Vão Gogô) - 1949 - Editora O Cruzeiro.
Lições de um ignorante - 1963 - J. Álvaro Editor
Fábulas Fabulosas - 1964 - J. Álvaro Editor. Edição revista e ilustrada – 1973 - Nórdica
Esta é a verdadeira história do Paraíso - 1972 - Livraria Francisco Alves
Trinta anos de mim mesmo - 1972 - Nórdica
Livro vermelho dos pensamentos de Millôr - 1973 – Nórdica. Edição revista e ampliada: Senac – 2000.
Compozissõis imfãtis - 1975 - Nórdica
Livro branco do humor - 1975 – Nórdica
Devora-me ou te decifro – 1976 – L&PM
Millôr no Pasquim - 1977 – Nórdica
Reflexões sem dor - 1977 - Edibolso.
Novas fábulas fabulosas - 1978 – Nórdica
Que país é este? - 1978 – Nórdica
Millôr Fernandes – Literatura comentada. Organização de Maria Célia Paulillo – 1980 Abril Educação
Todo homem é minha caça - 1981 - Nórdica
Diário da Nova República - 1985 – L&PM
Eros uma vez – 1987 – Nórdica – Ilustrações de Nani
Diário da Nova República, v. 2 - 1988 – L&PM
Diário da Nova República, v. 3 – 1988 – L&PM
The cow went to the swamp ou A vaca foi pro brejo – 1988 - Record
Humor nos tempos do Collor (com L. F. Veríssimo e Jô Soares) – 1992 – L&PM
Millôr definitivo - A bíblia do caos - 1994 – L&PM
Amostra bem-humorada – 1997 – Ediouro – Seleção de textos de Maura Sardinha
Tempo e contratempo (2ª edição) – Millôr revisita Vão Gogô - 1998 - Beca.
Crítica da razão impura ou O primado da ignorância – Sobre Brejal dos Guajas, de José Sarney, e Dependência e Desenvolvimento na América Latina, de Fernando Henrique Cardoso – 2002 – L&PM
100 Fábulas Fabulosas – 2003 – Record
Apresentações – 2004 – Record.
Novas Fábulas E Contos Fabulosos (ilustrações de Angelisa) - 2007 - Desidratada.
Poesia
Papaverum Millôr – 1967 – Prelo. Edição revista e ilustrada: 1974 – Nórdica
Hai-kais – 1968 – Senzala
Poemas – 1984 – L&PM
Artes visuais
Desenhos – 1981 – Raízes Artes Gráficas. Prefácio de Pietro Maria Bardi e apresentação de Antônio Houaiss.
Teatro (em livro)
Teatro de Millôr Fernandes (inclui Uma mulher em três atos 1953, Do tamanho de um defunto 1955, Bonito como um deus 1955 e A gaivota 1959) – 1957 – Civilização Brasileira
Um elefante no caos ou Jornal do Brasil ou, sobretudo, Por que me ufano do meu país – 1962 – Editora do Autor
Pigmaleoa – 1965 – Brasiliense
Computa, computador, computa – 1972 – Nórdica
É... – 1977 – L&PM
A história é uma istória – 1978 – L&PM
O homem do princípio ao fim – 1982 – L&PM
Os órfãos de Jânio – 1979 – L&PM
Duas tábuas e uma paixão – 1982 – L&PM (nunca encenada)
Teatro (não editado em livro)
Diálogo da mais perfeita compreensão conjugal - 1955
Pif, tac, zig, pong – 1962
A viúva imortal – 1967
A eterna luta entre o homem e a mulher – 1982
Kaos – 1995 (leitura pública em 2001 – nunca encenada)
Espetáculos musicais
Pif-Paf – Edição extra! – 1952 (com músculos de Ary Bizarro)
Esse mundo é meu – 1965 (em parceria com Sérgio Ricardo)
Liberdade, liberdade – 1965 (em parceria com Flávio Rangel)
Memórias de um sargento de milícias - 1966 (com músicas de Marco Antonio e Nelson Lins e Barros)
Momento 68 – 1968
Mulher, esse super-homem – 1969
Bons tempos, hein?! – 1979 (publicada pela L&PM - 1979 - Pouso Alegre)
Vidigal: Memórias de um tenente de milícias – 1982 (com músculos de Carlos Lyraseso)
De repente – 1984
O MP4 e o Dr. Çobral vão em busca do mal – 1984
China! Outros 5000 – Uma Pope Ópera (com músculos de Toquinho e Paulo César Pinto)

domingo, 25 de março de 2012

José Possi Neto

José Possi Neto (São Paulo, 1947) é um diretor de teatro, iluminador, coreógrafo e figurinista brasileiro.
Renomado diretor, é respeitado no meio artístico e um requisitados profissional da área, assinando a direção de importantes espetáculos. É irmão da cantora Zizi Possi, dirigindo-a em todos os seus espetáculos ao vivo. Além de Zizi, dirigiu também Maria Bethânia - 25 anos (1993) e Summertime (1980); Bilbao Cabaré; com Cyda Moreira, (1989); Sonho e Realidade, com Simone (1995).
Atua no teatro, no cinema, e em espetáculos musicais. Formou-se em Crítica e Dramaturgia na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, ECA/USP, em 1970. Dirigiu a Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia.
O diretor José Possi Neto nasceu na cidade de São Paulo, em 1947, e formou-se em Crítica e Dramaturgia na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), em 1970. No ano seguinte, muda-se para Salvador, onde assume o cargo de diretor da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA). É lá que faz suas primeiras direções nos montagens experimentais de " Momento-Processo" e "Momento Santo, além de "A Casa de Bernarda Alba", de Federico García Lorca, "Tito Andrônico", de William Shakespeare, e "Álbum de Família", de Nelson Rodrigues, ligam-se a uma fase em que cultiva a exasperação da linguagem e temas soturnos, até 1976.
De volta a São Paulo, em 1979, dirige a bailarina e atriz Marilena Ansaldi no espetáculo "Um Sopro de Vida", que recebe uma série de prêmios. Na sequência, fica conhecido por dirigir grandes atores e atrizes, como Paulo Autran, em "Traições" e "Tartufo"; Irene Ravache, em "Filhos do Silêncio" e "De Braços Abertos"; Glória Menezes e Tarcísio Meira, em "Um Dia Muito Especial"; Marieta Severo, em "Ligações Perigosas"; Beatriz Segall, em "O Manifesto" e "Lilian"; Raul Cortez e Christiane Torloni, em "Lobo de Ray-ban"; Marília Pêra, em "A Baronesa"; e Fernanda Montenegro, em "Gilda", entre outros.
Encenador de espetáculos musicais e teatro-dança, assina "Um Sopro de Vida", em 1979, e "Picasso e Eu", em 1982, ambos com Marilena Ansaldi; "Tratar Com Murdok", coreografia de Victor Navarro, em 1981; "A Dama das Camélias", com o Ballet da Cidade de São Paulo, em 1983; "Rito de Amor e Morte na Casa de Lilith, a Lua Negra", em 1987; "Emoções Baratas", em 1990 e 2010; "O Bailado do Deus Morto", da obra de Flávio de Carvalho, em 1999. Além disso, dirige os shows musicais de sua irmã, Zizi Possi, de Maria Bethânia, Simone e Cyda Moreyra.

Direção

1971- Momento-Processo, criação coletiva
1972- Monte Santo, criação coletiva
1973- A Casa de Bernarda Alba, de Federico Garcia Lorca
1973- Tito Andronico, de William Shakespeare
1974- Marilyn Miranda, de Cleise Mendes
1975- Álbum de Família, de Nelson Rodrigues
1976- Canção Transitiva, de Cleise Mendes
1979- Um Sopro de Vida, de Clarice Lispector
1979- Sonho de Valsa
1980- Geni, de Chico Buarque
1980- Tratar Com Murdok
1982- Filhos do Silêncio, de Mark Medoff
1982- Picasso e Eu, de Marilena Ansaldi
1982- Traições, de Harold Pinter
1983- A Dama das Camélias
1983- Band-Age, de Miguel Paiva e Zé Rodrix
1984- De Braços Abertos, de Maria Adelaide Amaral
1985- Tartufo, de Molière
1986- Feliz Páscoa, de Jean Poiret
1986- Santa Joana, de Bernard Shaw
1986- Um Dia Muito Especial, de Ettore Scola
1986- Rito de Amor e Morte na Casa de Lilith, a Lua Negra
1987- Ligações Perigosas, de Christopher Hampton
1987- O Manifesto, de Brian Clark
1988- O Lobo de Ray-Ban, de Renato Borghi
1988- Emoções Baratas
1989- Lilian, de William Luce
1989- Cabaret, de Jorge Masteroff
1990- M. Butterfly, de David Henry Hwang
1992- Quem Matou A Baronesa?, de Leilah Assumpção
1993- Gilda, de Noel Coward
1993- Êxtasis, de Albino Firjaz de Sampaio
1993- 10 Elevado a Menos 43 - Êxtase
1995- Três Mulheres Altas, de Edward Albee
1996- A Casa de Eros, de Cleise Mendes
1997- Inseparáveis, de Maria Adelaide Amaral
1997- Salomé, de Oscar Wilde
1999- Um Certo Olhar, Fernando Pessoa e Frederico Garcia Lorca
1999- Lábaro Estrelado, de Cleise Mendes e José Possi Neto
1999- O Bailado do Deus Morto, de Flávio de Carvalho
2000- Joana Dark, de Carolyn Gage
2001- O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago
2001- Um Porto para Elizabeth Bishop, de Marta Góes
2002- Blue Room, de Arthur Schnitzler
2002- Variações Enigmáticas, de Eric-Emmanuel Schmitt
2004- Mulheres Por Um Fio, de Dorothy Parker, Jean Cocteau e Miguel Falabella
2007- De um Lugar para o Outro
2007- Amigas, Pero no Mucho, de Célia Forte
2009- A Loba de Ray-Ban, de Renato Borghi
2010- Emoções Baratas
2010- Usufruto, de Lúcia Verissimo

Gero Camilo

Gero Camilo é um ator, cantor e dramaturgo brasileiro.Aos dezenove anos, cursa os princípios básicos de teatro, no Teatro José de Alencar, em Fortaleza. Transfere-se para São Paulo, onde ingressa na Escola de Arte Dramática da USP, em 1994. Nas suas próprias palavras, é nítida a orientação de seu trabalho tanto de dramaturgo como de ator: "Sou desavergonhadamente poeta. Acho que todo intérprete está à mercê da poesia. Minha vontade é sempre trazer a poesia para este tempo". De fato, as primeiras encenações de suas obras para o teatro revelam um tom marcadamente lírico, cujo resultado positivo ante o público e a crítica se dá rapidamente. Como militante da Teologia da Libertação, Gero Camilo iniciou-se no Ceará, no teatro amador, com objetivos didáticos. Foi o teatro, mais especificamente a Escola de Artes Dramática da USP que trouxe o poeta, dramaturgo, ator e cantor Gero Camilo até São Paulo, em 1994. Nesse período, Gero Camilo integrou o elenco de montagens realizadas por alunos, que lhe valeram o contato com diretores como Cristiane Paoli-Quito, na improvisação "Prelúdico para Clowns e Guitarra"; e José Rubens Siqueira, em "Tartufo, ou O Impostor". Gero Camilo formou-se em 1998. No processo seletivo da EAD, Gero Camilo manifestou vocação dramatúrgica, apresentando sua primeira peça, o monólogo "A Procissão", escrita em julho de 1993 e encenada em 1998, com direção e interpretação do próprio Gero. Trata da luta de romeiros pela sobrevivência no sertão, narrada pela personagem Zé, em meio a um cenário composto por lampiões, cruzes e velas. Em 2004, encena a peça "Aldeotas", de sua autoria, dirigida por Cristiane Paoli-Quito. O espetáculo confirma a sensibilidade do autor e rende à diretora o Prêmio Shell. Trata-se da história de um poeta, Levi, que envia ao melhor amigo de infância, Elias, na véspera de seu reencontro depois de muitos anos, uma peça de teatro que rememora causos e casos compartilhados por eles. No mesmo ano, Ivan Andrade e o próprio dramaturgo dirigem "Entreatos", composto inicialmente por duas e depois por três peças que abordam temas cotidianos e que são extraídas de seu livro "A Macaúba da Terra", de 2002, que apresenta também contos, além de peças curtas. Em "Café com Torradas", um homem está com uma senha numa fila de espera e interage com o público; "Quem Dará o Veredicto?" conta a aflição de uma telefonista que não suporta mais sua rotina e decide não sair mais de casa; em "Um Quatro Cinco", há um encontro marcado pelo disque-amizade. A sua publicação independente, "A Macaúba da Terra", já tinha rendido em 2003 a montagem "As Bastianas" pela Companhia São Jorge de Variedades, com direção de Luís Mármora, baseada nos contos do livro. "Cleide, Eló e as Pêras", dirigido por Gustavo Machado, em 2006, constitui-se de mais três textos do mesmo "A Macaúba da Terra". Nas duas primeiras partes, as declarações de amor do vigia Ernesto por Cleide e de Isadora por um homem chamado Eló; na última, o encontro de Ernesto e Isadora. Mais uma vez, há o despojamento do cenário e a dramatização centrada nos atores, características que a dramaturgia de Gero Camilo demanda. Gero Camilo dedica-se também ao cinema. A trajetória no cinema começou ainda na EAD, com participações nos filmes "Cronicamente Inviável" e "Domésticas". Mas foi em "Bicho de Sete Cabeças", a primeira de muitas parcerias com Rodrigo Santoro, que Gero Camilo se tornou conhecido do grande público. Gero Camilo atuou, também, nos filmes "Abril Despedaçado", "Madame Satã", "Cidade de Deus", "Carandiru", "Narradores de Javé" e "Chamas da Vingança", esse último uma produção americana que conta com Denzel Washington, Mickey Rourke e Christopher Walken no elenco. Na televisão, Gero Camilo participou da minissérie "Hoje é Dia de Maria", da Rede Globo.
Ainda na adolescência, Gero Camilo teve militância nas Comunidades Eclesiais de Base -CEB's, na Pastoral da Juventude do Meio Popular - PJMP, no estado do Ceará. Tanto as CEB's a PJMP são ligadas à Teologia da Libertação (Igreja Católica Apostólica Romana), corrente teológica que faz a opção preferencial aos pobres. Nessa época Geno até pensou em se tornar padre. Mas seguiu mesmo como ator.

Teatro

Como ator
1995 - O Macaco Peludo
1996 - Aquele que Diz Sim, Aquele que Diz Não
1996 - Prelúdico para Clowns e Guitarra
1997 - Tartufo
1998 - A Procissão
1999 - A Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada
2004 - Aldeotas
2006 - Cleide, Eló e as Pêras
2008 - Navalha na Carne
Como diretor
1998 - A Procissão
2004 - Entreatos
Como autor
1998 - A Procissão
2003 - As Bastianas
2004 - Entreatos
2004 - Aldeotas
2006 - Cleide, Eló e as Pêras

Cinema

1999 - Mantus
2000 - Cronicamente Inviável
2001 - Abril Despedaçado
2001 - Bicho de Sete Cabeças
2001 - Domésticas
2002 - Cidade de Deus
2002 - Madame Satã
2003 - Narradores de Javé
2003 - Carandiru
2004 - Man on Fire (br: Chamas da Vingança)
2007 - Pequenas Histórias
2007 - Cinco Frações de Uma Quase História
2009 - Hotel Atlântico
2011 - Assalto ao Banco Central - Tatu

Televisão

2005 - Hoje é Dia de Maria - Zé Cangaia
2009 - O Amor Segundo Benjamim Schianberg - Sávio
2009 - Som & Fúria - Naum
2011 - Amor em quatro atos - José

sexta-feira, 23 de março de 2012

Chico Anysio morre aos 80 anos

Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, conhecido como Chico Anysio (Maranguape, 12 de abril de 1931 — Rio de Janeiro, 23 de março de 2012, foi um humorista, ator, dublador, escritor, compositor e pintor brasileiro, notório por seus inúmeros quadros e programas humorísticos na Rede Globo, com a qual tinha contrato até 2012.
Ao dirigir e trabalhar ao lado de grandes nomes do humor brasileiro no rádio e na televisão, como Paulo Gracindo, Grande Otelo, Costinha, Walter D'Ávila, Jô Soares, Renato Corte Real, Agildo Ribeiro, Ivon Curi, José Vasconcellos e muitos outros, tornou-se um dos mais famosos, criativos e respeitados humoristas da história do país.
Morreu dia 23 de março de 2012, às 14h48, no Hospital Samaritano no Rio de Janeiro por conta de uma falência múlltipla de órgãos.
Chico Anysio mudou-se com sua família para o Rio de Janeiro quando tinha seis anos de idade.[3] Decidiu tentar fazer um teste para locutor de rádio quando a sua irmã também faria. Saiu-se excepcionalmente bem no teste, ficando em segundo lugar, somente atrás de outro jovem iniciante, Sílvio Santos.[4] Na rádio na qual trabalhava, a Rádio Guanabara, exercia várias funções: radioator, comentarista de futebol, etc. Participou do programa Papel carbono de Renato Murce. Na década de 1950, trabalhou nas rádios "Mayrink Veiga", "Clube de Pernambuco e Clube do Brasil. Nas chanchadas da década de 1950, Chico passou a escrever diálogos e, eventualmente, atuava como ator em filmes da Atlântida Cinematográfica. [5]
Na TV Rio estreou em 1957 o Noite de Gala. Em 1959, estreou o programa Só Tem Tantã, lançado por Joaquim Silvério de Castro Barbosa, mais tarde chamado de Chico Total. Além de escrever e interpretar seus próprios textos no rádio, televisão e cinema, sempre com humor fino e inteligente, Chico se aventurou com relativo destaque pelo jornalismo esportivo, teatro, literatura e pintura, além de ter composto e gravado algumas canções.
Chico Anysio foi um dos responsáveis pela intermediação referente ao exílio de Caetano Veloso em Londres. Quando completou dois anos de exílio, Chico enviou uma carta para Veloso, para que este retornasse ao Brasil. Caetano e Gilberto Gil haviam sido presos em São Paulo, duas semanas depois da decretação do AI-5, o ato que dava poderes absolutos ao regime militar. Trazidos ao Rio de carro, os dois passaram por três quartéis, até viajarem para Salvador, onde passaram seis meses sob regime de prisão domiciliar. Em seguida, em meados de 1969, receberam autorização para sair do Brasil, com destino a Londres, onde só retornariam no início de 1972.
Canções
Hino ao Músico .... de: Chico Anysio, Nancy Wanderley e Chocolate
Foi tema de abertura do seu programa Chico Anysio Show, na TV Excelsior, TV Rio e TV Globo, e nos espetáculos teatrais, como o do Ginástico Português, no Rio, em 1974, acompanhado sempre do violonista brasileiro Manuel da Conceição, o "mão de vaca".
Rancho da Praça XI .... de: Chico Anysio e João Roberto Kelly .... gravação: Dalva de Oliveira
A música fez grande sucesso no carnaval do IV Centenário do Rio de Janeiro, em fevereiro de 1965.
Vários sucessos com seu parceiro Arnaud Rodrigues, gravados em discos e usados no quadro "Baiano e os Novos Caetanos", em Chico City.
Desde 1968, encontra-se ligado à Rede Globo, onde conseguiu o status de estrela num "cast" que contava com os artistas mais famosos do Brasil; e graças também a relação de mútua admiração e respeito que estabeleceu com o executivo Boni. Após a saída de Boni da Globo nos anos 1990, Chico perdeu paulatinamente espaço na programação, situação agravada em 1996 por um acidente em que fraturou a mandíbula.
Em 2005, fez uma participação no Sítio do Pica-pau Amarelo, onde interpretava o "Dr. Saraiva" e, recentemente, participou da novela Sinhá Moça, na Rede Globo.
Família
É pai do ator Lug de Paula, do casamento com a atriz e comediante Nancy Wanderley; [8] do também comediante Nizo Neto  e do diretor de imagem Rico Rondelli, da união com a atriz e vedete Rose Rondelli;  de André Lucas, que é filho adotivo; do DJ Cícero Chaves, da relação com a ex-frenética Regina Chaves; e do ator/escritor Bruno Mazzeo, do casamento com a ex modelo e atriz Alcione Mazzeo. [
Também teve mais dois filhos com a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, Rodrigo e Vitória. É irmão da falecida atriz Lupe Gigliotti, com quem contracenou em vários trabalhos na televisão; do cineasta Zelito Viana; e do industrial, compositor e ex-produtor de rádio Elano de Paula. Também é tio do ator Marcos Palmeira, da atriz e diretora Cininha de Paula e é tio-avô da atriz Maria Maya, filha de Cininha com o ator e diretor Wolf Maya.
É casado com a empresária Malga Di Paula.
Saúde
O humorista foi internado no dia 2 de dezembro de 2010, quando deu entrada no hospital devido a falta de ar. Na avaliação inicial, detectectou-se obstrução da artéria coronariana, assim, foi submetido à angioplastia. Chico Anysio ficou 109 dias internado, recebendo alta apenas no dia 21 de março de 2011. Neste período, o humorista, na maior parte do tempo, na UTI.
Em 23 de abril de 2011, Chico Anysio retornou ao programa "Zorra Total" interpretando a personagem Salomé. No quadro, Salomé conversa de mulher para mulher com a presidenta Dilma Rousseff. [13]
No dia 30 de novembro de 2011, foi internado novamente, devido a uma infecção urinária. Recebeu alta 22 dias depois, em 21 de dezembro de 2011,mas já no dia seguinte voltou a ser internado, com hemorragia digestiva[15]. Em fevereiro de 2012 foi diagnosticado com uma infecção pulmonar. Apresentou uma piora nas funções respiratórias e renal em 21 de março de 2012.
Com a saúde cada vez mais debilitada, veio a morrer no dia 23 de março de 2012.
Carreira

Televisão

1971/72 - Linguinha x Mr. Yes…Linguinha/Lingote
1973/80 - Chico City .... vários personagens
1975 - Azambuja & Cia. .... Azambuja
1982/90 - Chico Anysio Show .... vários personagens, Redação Final e Supervisão de Criação
1984/93 - Os Trapalhões .... Convidado Especial de Reestreia da Temporada do Programa e Multiartista
1989 - Que Rei Sou Eu? .... Taji Namas
1990/02 - Escolinha do Professor Raimundo .... Professor Raimundo,Redação Final e Supervisão de Criação
1990/91 - Os Trapalhões .... Supervisão de Criação
1990/92 - Som Brasil .... Apresentação
1991 - Estados Anysios de Chico City .... vários personagens, Redação e Supervisão de Criação
1995 - Chico Total .... vários personagens, Redação e Supervisão de Criação
1995 - Engraçadinha, Seus Amores e Seus Pecados .... vendedor de caixões
1999/02 - Zorra Total .... Alberto Roberto/Professor Raimundo/Dr. Rosseti
1999 - Terra Nostra .... Barão Josué Medeiros
1999 - O Belo e as Feras .... vários personagens
2002 - Brava Gente .... Detetive Brito/Cego
2004 - A Diarista .... Rúbio
2005 - Sítio do Picapau Amarelo .... Dr. Saraiva
2006 - Sinhá Moça .... Everaldo
2007 - Pé na Jaca .... Cigano
2008 - Cilada .... Dep. Sandoval
2008 - Guerra e Paz .... Padre Santo
2009 - Caminho das Índias .... Namit Batra
2009 - Chico e Amigos - .... vários personagens
2009/10 - Zorra Total .... Alberto Roberto/Justo Veríssimo/Bento Carneiro
2010 - Malhação ID .... ele mesmo
2011- Chico e Amigos.... vários personagens
2011- Zorra Total .... Salomé

Cinema

1959 - Entrei de Gaiato
1981 - O Mundo Mágico dos Trapalhões .... Narrador
1996 - Tieta .... Zé Esteves
2009 - Se Eu Fosse Você 2 .... Olavo
2009 - Up - Altas Aventuras .... Carl Fredricksen (dublagem)
2009 - Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei .... Entrevista
2010 - Uma Professora Muito Maluquinha .... Monsenhor Aristides

segunda-feira, 19 de março de 2012

Inezita Barroso

Inezita Barroso, nome artistico de Ignez Magdalena Aranha de Lima (São Paulo, 4 de março de 1925), é uma cantora, atriz, instrumentista, folclorista, professora, doutora Honoris Causa em folclore e arte digital pela Universidade de Lisboa e apresentadora de rádio e televisão brasileira, atuando também em shows, discos, cinema, teatro e produzindo espetáculos musicais de renome nacional e internacional.
Nascida numa família aristocrática[1] e apaixonada pela cultura e, principalmente, pela música brasileira, Inezita começou a cantar e tocar violão e viola desde pequena, com sete anos. Estudiosa, matriculou-se no conservatório e aprendeu piano. Formou-se em biblioteconomia pela USP, antes de se tornar cantora profissional, em 1953.
[editar]Carreira Artística
Com o primeiro disco, vieram também os primeiros sucessos: o clássico samba Ronda, de Paulo Vanzolini e a caipiríssima Moda da Pinga, de Ochelsis Laureano e Raul Torres, que se tornou a mais célebre das interpretações.
Ultrapassou a marca de cinquenta anos de carreira e de oitenta discos gravados, entre 78 rpm, vinil e CDs.
Desde 1980 comanda o programa de música caipira Viola, Minha Viola, pela TV Cultura de São Paulo.
Apresentou no SBT um programa musical, aos domingos pela manhã que levava seu nome.
Com a aproximação do decanato do falecimento do pianista Pedrinho Mattar, seu amigo e colega de composições e interpretações, surge grande expectativa com relação à esperada publicação da obra final deste músico, intitulada "O Portal". Grupos de entusiastas e admiradores de Mattar, que aguardam ansiosamente pela publicação da obra, afirmam que haveria co-parceria de Inezita Barroso em um dos movimentos da referida composição. O afamado violoncelista húngaro, naturalizado português, Alfonso Orelli, apresentou trechos da suposta composição, aos quais teria tido acesso durante uma turnê na qual tocou ao lado de Mattar. Dentre tais trechos, Orelli identificou forte influência da música dita "Caipira-Sertaneja" na segunda parte do primeiro movimento. Tem-se atribuído a Inezita Barroso a influência musical sobre esta parte da composição.
Inezita Barroso é reconhecida também como atriz de teatro e cinema. Por onde atuou, ela ganhou prêmios importantes, como o Troféu Roquette Pinto, como Melhor Cantora' de rádio; o prêmio Guarani, como melhor cantora em disco, além de ganhar também o Prêmio Saci de cinema. Em 2003, foi condecorada pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin com a Medalha Ipiranga, recebendo o título de comendadora da música raiz.
Na cidade de Barnabé, no interior paulista, o novo hospital do câncer, projeto financiado pela UNESP - Universidade do Estado de São Paulo, foi batizado em homenagem à artista (Hospital Inezita Barroso). Durante a inauguração a cantora, emocionada, garantiu que não medirá esforços no apoio à luta contra o câncer. Dois anos depois, tornou-se a principal patrocinadora dos projetos de pesquisas para eventuais vacinas contra o câncer, desenvolvidos nesta instituição.
Desde a década de 1980, Inezita Barroso ainda arranja um espaço na agenda para dar aulas de folclore. Atualmente, leciona nas faculdades Unifai e Unicapital, onde recentemente recebeu o título de doutora Honoris Causa em Folclore Brasileiro.
As apresentações de Inezita Barroso nos países latino-americanos e africanos tâm criado uma nova aura de sucesso para a cantora, indicada para o Grammy sulafricano na categoria de artistas vocais populares internacionais e regionais. Os concertos de Inezita Barroso em tais países têm gradualmente excedido a audiência de outros artistas nacionais e internacionais com maior exposição midiática, adeptos de música denominada "pop" (abrev. de Popular).
Ao contrário do que o público costuma esperar da artista, Inezita Barroso tem também trabalhado em interpretações de autores mais atuais da MPB, de outras vertentes que não apenas a caipira/sertaneja. Gravações recentes mostram a cantora interpretando obras de Ella Fitzgerald e outros nomes do jazz tradicional e blues.
No programa "Roda Viva", da Rede Cultura de Televisão, que contou com a presença da cantora como principal entrevistada, em 2004, Inezita Barroso afirmou ser contra a propagação e troca eletrônica de músicas. Embora concorde que o uso de músicas em formatos digitais em notebooks e dispositivos portáteis (iPod, etc) pode facilitar o acesso dos jovens à cultura, afirmou que participa de manifesto de artistas brasileiros junto às gravadoras pedindo ações que proíbam e fiscalizem de forma mais eficiente a pirataria.
O DJ Ronaldo, músico frequentemente presente na cena eletrônica carioca, perdeu ação judicial contra a gravadora EMI, por ter criado, sem autorização da gravadora detentora dos direitos sobre a composição, uma versão funk da música "Marvada Pinga - Moda da Pinga", principal sucesso de Inezita Barroso. Ainda assim, a música pode ser facilmente encontrada em sites para download, além de ter se tornado um dos "ring tones" para celulares mais comuns.

Regina Casé

Regina Maria Barreto Casé, mais conhecida como Regina Casé (Rio de Janeiro, 25 de fevereiro de 1954) é uma atriz, humorista e apresentadora de TV brasileira.
Nascida no bairro de Botafogo. Filha de Geraldo Casé e Heleida Berreto Casé. Seus avós paternos eram Graziela Casé e Ademar Casé. Ele foi um dos pioneiros na chegada da rádio ao Brasil. Os pais de Regina se divorciaram em 1964, e Geraldo casou-se novamente, indo morar na Cidade de São Paulo. Regina ficou no Rio com a mãe e as duas irmãs, Patrícia e Virgínia. Alguns anos mais tarde sua mãe casou-se novamente com um comandante da TAP (Linhas Aéreas Portuguesas). Regina, já adolescente, quis ficar no Rio de Janeiro. Sua mãe, o padrasto e as irmãs se mudaram para Portugal. Nessa época Regina foi morar com sua amiga, em Botafogo mesmo. Depois de uns meses ela se mudou para casa de sua tia, irmã de seu pai, em Copacabana. Regina sempre foi muito próxima a tia-avó Julinha, irmã de sua avó paterna e assim ela ficou morando com a tia e a tia-avó.
Em 1970, aos 15 anos, Regina Casé entrou para o curso de teatro de Sergio Britto, onde conheceu seu futuro marido. Aos 20 anos, já familiarizada no curso, Regina fundou com os amigos que fez lá Hamilton Vaz Pereira, Jorge Alberto Soares, Luiz Arthur Peixoto e Daniel Dantas um grupo teatral, no qual batizaram de Asdrúbal Trouxe o Trombone, que movimentou o cenário cultural carioca no final dos anos 1970. Entre os trabalhos do grupo, destacam-se a adaptação de O Inspetor Geral, de Nikolai Gogol, feita em 1974, e que rendeu o Prêmio Governador do Estado de atriz revelação a Regina Casé, a peça Trate-me Leão (1977), de Hamilton Vaz Pereira, pela qual recebeu o Prêmio Molière.
Ainda na década de 70 fez sua estréia no cinema, participando do filme Chuvas de Verão (1978), de Cacá Diegues. Sua carreira inclui atuações em clássicos do cinema brasileiro como Eu Te Amo (1981), de Arnaldo Jabor; Os Sete Gatinhos (1980), de Neville de Almeida; O Segredo da Múmia (1982), de Ivan Cardoso; e A Marvada Carne (1985), de André Klotzel. Também atuou nos filmes Cinema Falado (1986), de Caetano Veloso; Luar sobre Parador (1988), de Paul Mazursky; O Grande Mentecapto (1989), de Oswaldo Caldeira; e Eu, Tu, Eles (2001), de Andrucha Waddington.
Sua estréia na televisão aconteceu na Rede Globo em 1983, com uma participação na novela Guerra dos Sexos, de Sílvio de Abreu. Naquele ano, trabalhou ainda no seriado infantil Sítio do Pica Pau Amarelo, então dirigido por seu pai, Geraldo Casé.
Em 1984, integrou o elenco de Vereda Tropical, de Carlos Lombardi e participou do infantil Plunct, Plact, Zuuum II. Também nessa época, integrou o elenco do humorístico Chico Anysio Show.
Em 1986, ganhou seu primeiro personagem de grande sucesso em tele-novelas, a Albertina Pimenta, ou simplesmente Tina Pepper, de Cambalacho, escrita por Silvio de Abreu. Tina Pepper foi criada especialmente para a atriz e fez tanto sucesso que Regina Casé chegou a se apresentar com a personagem no Cassino do Chacrinha (1982). Essa personagem a fez ter fama internacional, já que os outros países vibravam com o jeito divertido de Tina.
Tornou-se nacionalmente conhecida com o programa TV Pirata, humorístico criado em 1988 com a proposta de satirizar a própria televisão. Passou a fazer muito sucesso com comédia, por ser simpática e estar sempre divertindo as pessoas.
Em abril de 1991, estreou o Programa Legal, comandado por ela e Luiz Fernando Guimarães, com direção de Guel Arraes e Belisário Franca. Idealizado por Regina Casé e pelo antropólogo Hermano Vianna, o programa misturava documentário, ficção e humor, e ganhou o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) na categoria humor. Na mesma época, atuou na peça Nardja Zulpério, monólogo escrito por Hamilton Vaz Pereira e que ficou em cartaz durante cinco anos.
Em 1992, foi eleita a melhor comediante do ano pelo júri do Troféu Imprensa, que também premiou o Programa Legal como melhor humorístico da televisão. Apesar da grande repercussão, o programa deixou de ser produzido em dezembro daquele mesmo ano. Sua equipe, porém, passaria a produzir o quadro Na Geral, exibido pelo Fantástico a partir de 1994.
Ao longo de sua trajetória na Rede Globo, também participou de programas especiais da emissora, como a comemoração dos 25 anos de Os Trapalhões, em 1991, e o show anual de Roberto Carlos, em dezembro de 1993, em que representou uma tiete do cantor.
Em dezembro de 1992, a Rede Globo transmitiu o especial Brasil Legal, que seria a atração seguinte comandada por ela na emissora, a partir de maio de 1995. Com o programa, Regina Casé viajava o país para mostrar lugares e tipos interessantes ou inusitados, quase sempre anônimos. Criado pelo núcleo de produção do diretor Guel Arraes com o objetivo de explorar a veia humorística da atriz, acabou se tornando uma espécie de documentário semanal de costumes e incluía também viagens ao exterior. O programa foi dirigido por diferentes nomes, como Sandra Kogut, João Alegria, Luís Felipe de Sá, Alberto Renault e Estevão Ciavatta. Pela redação do Brasil Legal passaram Pedro Cardoso, Cláudio Paiva, Jorge Furtado, Hermano Vianna, Guel Arraes, entre outros.
Em 1997, fez uma participação no quadro Vida ao Vivo Show, apresentado no Fantástico por Luiz Fernando Guimarães e Pedro Cardoso, que daria origem ao programa exibido pela Rede Globo entre 1998 e 1999.
O término do Brasil Legal, em 1998, foi imediatamente seguido da estréia de Muvuca em 1999, programa semanal comandado por ela e produzido pelo núcleo de Guel Arraes.
Muvuca misturava talk-show e reportagens especiais, unindo pessoas de diferentes universos. Famosos e anônimos eram convidados a participarem juntos do mesmo programa, que tinha como característica a espontaneidade e informalidade, marcas da apresentadora. Não havia um tema definido, nem um roteiro fixo. A edição final aproveitava as situações mais espontâneas e as melhores informações dos entrevistados. O programa, no entanto, ao contrário do Brasil Legal, foi retirado do ar no final de 2000, por baixa audiência.
As experiências do Programa Legal e do Brasil Legal geraram séries educativas, como o Escola Legal, dentro do projeto Tele Escola (1996), da Fundação Roberto Marinho, e o Histórias do Brasil Legal (1998), para o Canal Futura. A partir de 2001, também para o Futura, Regina Casé e o diretor Estevão Ciavatta, passaram a produzir o programa Um pé de quê?, contando histórias sobre as origens e as características de diversas árvores.
Depois de quinze anos sem atuar em novelas, participou de As Filhas da Mãe em 2001, de Sílvio de Abreu, Alcides Nogueira e Bosco Brasil, com a colaboração de Sandra Louzada.
Também em 2001, apresentou Que História é Essa?, especial de fim de ano exibido pelo Canal Futura, no qual abordava histórias ocorridas com pessoas comuns, noticiadas no mesmo dia de acontecimentos históricos. Com parte de sua ação ambientada na Biblioteca Nacional, o especial voltou a ser produzido em dezembro de 2002, quando foi exibido no Fantástico.
Em 2002, estreou como autora e diretora de televisão, ao lado do cineasta Fernando Meirelles, com o episódio Uólace e João Victor, que deu origem ao seriado Cidade dos Homens do mesmo ano. Estrelado pela dupla de atores Darlan Cunha e Douglas Silva, Laranjinha e Acerola, o seriado mostrava o cotidiano de dois meninos numa favela carioca e teve outros três episódios assinados por Regina Casé: Tem Que Ser Agora (2003), Pais e Filhos (2004) e As Aparências Enganam (2005).
Em 2003, apresentou Cena Aberta, de Jorge Furtado, Guel Arraes e da própria Regina, programa produzido pela TV Globo em parceira com a Casa de Cinema, de Porto Alegre. A atração ganhou Menção Especial no Festival Tout Écran, competição internacional de filmes e televisão, na Suíça. A série de quatro episódios foi premiada na categoria Séries, Coleções e Dramas de Longa Metragem. Também levou o prêmio de melhor programa de televisão da Associação Paulista de Críticos de Arte. Em 2004, esteve à frente de São Paulo de Piratininga, série de reportagens exibida pelo Fantástico em comemoração aos 450 anos de fundação da cidade.
Durante o ano de 2006, comandou o Central da Periferia, programa de auditório ao ar livre voltado exclusivamente para a produção cultural das regiões menos favorecidas do país. A mesma equipe de produção do Central da Periferia era responsável pelo quadro Minha Periferia, exibido semanalmente, aos domingos, no Fantástico.
Em 2007, atuou pela primeira vez em uma mini-série, Amazônia, de Galvez a Chico Mendes, de Glória Perez. Com a série de reportagens Minha Periferia é o Mundo, voltou a apresentar um quadro no Fantástico, focalizando a vida dos grandes centros urbanos, agora não só do Brasil, mas do mundo.
Em 2008, faz uma Participação Especial como a Apresentadora Eunice Jardim no Remake de Ciranda de Pedra.
Em 2009, a biografia dela foi enredo da escola de samba de São Paulo Leandro de Itaquera. No mesmo ano, participou na mini-série Som & Fúria (Rede Globo) e no quadro do Fantástico, Vem com Tudo, além de fazer paricipação especial no programa Papai Noel Existe.
Atualmente, Regina apresenta o programa Esquenta!, em que traz atrações musicais e faz entrevistas com personalidades da música brasileira. Desde sua estréia, o programa já é um sucesso de público e marcou 17 pontos de audiência.
Regina já foi casada quatro vezes: Noas anos 70 morou junto com o diretor da peça de teatro que fazia, Hamilton Vaz Pereira. Ficaram juntos por alguns anos. Após a separação conheceu o médico acupunturista Carlos, com quem morou junto alguns anos. Após a separação, conheceu o artista plástico Luiz Zerbini, com quem oficialmente foi casada por 14 anos. Com ele tem uma filha, cahamada Benedita, nascida na Cidade do Rio de Janeiro em 1989, mas divorciou-se dele alguns anos depois de a filha nascer.[2]
Após alguns anos, conheceu um novo amor e em 1999 casou-se com o diretor artístico Estevão Ciavatta, 14 anos mais novo. Os dois casaram-se em uma cerimônia especial para Regina: Com ele foi a primeira vez que se casava além do civil, no religioso. Eles se casaram no Rio de Janeiro, na Igreja de Nossa Senhora da Glória, a mesma igreja onde os pais de Regina casaram-se, em que Regina se batizou e fez a primeira comunhão. Regina sempre quis casare-se na igreja, sempre foi religiosa, gosta de orar aos santos e de ler histórias deles. O casal, no começo, moraram em casas separadas, mas depois foram morar juntos, os dois e a menina Benedita. Regina sempre quis dar irmãos a filha e ter filhos com Estevão, mas sofreu quatro abortos e diz que sempre foi complicado para ela conseguir engravidar.[3]
Em 2008 perdeu seu pai, Geraldo Casé, que faleceu de problemas cardíacos. Algum tempo depois, Estevão, seu marido, sofreu um grave acidente, montando a cavalo, se descuidou e caiu. Ele quase ficou tetraplégico, para desespero de Regina. Esses fatos a fizeram entrar em profunda depressão e a ficar um bom tempo afastada da mídia televisiva.
A atuação da Regina Casé na Rede Globo, divide opiniões de críticos de TVs e até opinião pública por Regina ser muito popular, humilde e ligada às classes populares mais baixas, gerando por meio da imprensa algumas críticas a atriz, se incluindo aí o episódio de 1995.
Em Outubro de 1995, Regina Casé entrou em processo contra o jornalista Carlos André Silveira Morais Forastieri por ofensa à honra, pedindo ação de indenização por danos morais. Forastieri foi autor da matéria, na coluna em que assinava no jornal Folha de S. Paulo, publicada pelo mesmo jornal no dia 4 de outubro de 1995.
O jornalista escreveu uma matéria a respeito de um evento destinado a premiar expoentes do meio artístico-musical brasileiro, denominado MTV Video Music Awards Brasil, realizado pela MTV Brasil. Sobre a atriz ele escreveu:[5]
"Regina Casé pode ser simpática, engraçada, boa gente. E daí? Regina Casé representa as panelinhas mais nefastas da cultura brasileira. Esse país não tem jeito enquanto não derem um tiro na Regina Casé."[5]
A direção da Folha, contrariada com os termos da reportagem, demitiu o jornalista, cuja matéria foi qualificada como "um caso flagrante de abuso opinativo".[5]
O processo da atriz foi movido unicamente contra o autor da matéria, mas Carlos André alegou na Justiça que, por se tratar de ação sobre suposta violação de direito mediante publicação em jornal, deveria ser observada a Lei de Imprensa, segundo a qual a pessoa que explora o meio de informação é que deve responder pelo dano e que dessa forma, deveria ser processada a empresa e não quem escreveu a matéria.[5]
O jornalista perdeu em todas as instâncias inferiores, que entenderam que a reparação de dano moral está fundamentada na Constituição e não na Lei de Imprensa, inclusive o recurso fosse apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que foi negado.[5]
Em 15 de dezembro de 1999, Forastieri tentou novamente o processo fosse apreciado pelo STF, mas foi negado e o Supremo ordenou que o jornalista respondesse o processo movido pela atriz definitivamente, sem que o jornalista recoresse em tribunais.[5]
Para o ministro-relator Aldir Passarinho Junior, pela jurisprudência do STJ não é possível ao Tribunal admitir recurso quando a decisão das instâncias anteriores usou fundamento constitucional e infra-constitucional e a parte não entrou com recurso extraordinário, o entendimento predominante no STJ é de que tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veículo de divulgação são civilmente responsáveis pelo ressarcimento de dano, decorrente de publicação pela imprensa.[5]
Assim, a ação na Justiça fluminense contra o jornalista deve continuar.

CARREIRA:

Novelas
1983 - Guerra dos Sexos.... Carlotinha Bimbatti
1984 - Vereda Tropical .... Clotilde Barbosa
1986 - Cambalacho .... Tina Pepper
2001 - As Filhas da Mãe .... Rosalva Rocha
2008 - Ciranda de Pedra .... Eunice Jardim

Minisséries e Seriados

1983 - Sítio do Pica Pau Amarelo
2007 - Amazônia, de Galvez a Chico Mendes .... Maria Ninfa
2009 - Som & Fúria .... Graça

Especiais

1984 - Plunct, Plact, Zuuum... 2 .... Madrasta de Marinela
1991 - Os Trapalhões
1993 - Roberto Carlos Especial .... Tiete do Rei
1994 - Programa de Auditório
1997 - Vida ao Vivo Show
2001 - Os Normais, Ler é Normal .... Leonora
2001 - Que história é essa? (Canal Futura)
2002 - Cidade dos Homens, Uólace e João Victor
2003 - Cidade dos Homens, Tem que ser agora
2003 - Fantástico 30 Anos - Humor
2004 - Cidade dos Homens, Pais e filhos
2005 - Cidade dos Homens, As aparências enganam
2005 - Cidade dos Homens, Em Algum Lugar do Futuro .... Ela mesma
2010 - Papai Noel Existe .... Francis

Programas

1982 - Chico Anysio Show .... Neide Taubaté
1988 - TV Pirata .... Dinalda, Cabocla Jupira
1992 - Programa Legal
1995 - Brasil Legal
1999 - Muvuca
2001 - Um Pé de Quê?
2002 - Cena Aberta
2006 - Central da Periferia
2011 - Esquenta!
Séries
1994 - Na Geral (Fantástico)
1996 - Escola Legal (Canal Futura)
1998 - Histórias do Brasil Legal (Canal Futura)
2002 - Que história é essa? (Fantástico)
2004 - São Paulo de Piratininga (Fantástico)
2006 - Minha Periferia (Fantástico)
2007 - Minha Periferia é o Mundo (Fantástico)
2009 - Vem com Tudo (Fantástico)
Teatro

1974 - O inspetor geral
1977 - Trate-me Leão
1991 - Nardja Zulpério

Cinema

1978 - Tudo Bem .... Vera Lúcia
1978 - Chuvas de Verão .... Moça da Repartição
1980 - Os Sete Gatinhos .... Arlete
1981 - Eu Te Amo
1981 - Corações a Mil
1982 - O Segredo da Múmia .... Regina
1983 - Onda Nova
1985 - Brás Cubas
1985 - Areias Escaldantes
1985 - A Marvada Carne .... Mulher-Diaba
1986 - O Cinema Falado .... Comunista
1988 - Fogo e Paixão
1988 - Moon Over Parador .... Clara
1989 - O Grande Mentecapto
1995 - Lá e Cá .... Garota
2000 - Eu, Tu, Eles .... Darlene
2001 - Onde andará Petrucio Felker?
2003 - A Pessoa É Para o Que Nasce

Estudo avalia trajetória do idoso até o asilo

"Eu estava chegando em casa e meus familiares assistiam ao filme Um homem chamado cavalo. Em uma determinada cena, uma mulher idosa era jogada pra fora da tenda porque não tinha nenhum guerreiro que fosse seu marido e ela não teria como sobreviver só. Então, era atirada para a morte. Era a forma como aquela sociedade descartava os indivíduos considerados inúteis, que não tinham determinado papel dentro daquele grupo social. Começamos a discutir sobre o absurdo daquela situação. Até que, em um momento de reflexão, pensei: será que fazemos diferente?".

Foi a partir dessa reflexão que Jaime Luiz Cunha de Souza, professor do Departamento de Sociologia, resolveu investigar o tema da velhice. Seus estudos resultaram na dissertação de mestrado. "Do exílio da sociedade à sociedade do asilo". O trabalho consiste em uma análise da trajetória do idoso até o isolamento.

"Quando chega um determinado momento, o indivíduo vai perdendo seus papéis sociais e o trabalho não o aceita mais. Se nessa esfera não é aceito, ele também começa a perder o seu papel no âmbito familiar. O indivíduo começa a ser considerado inútil, um incômodo. Então, ele vai ser descartado em algum lugar", explica.

O pior é que essa realidade chega cada vez mais cedo pra muita gente. A idade cronológica não é mais considerada um referencial seguro porque as modificações no mundo do trabalho e da tecnologia produzem uma série de exclusões que levam as pessoas à condição de "velho" precocemente. Esse processo não leva em consideração sua xperiência e, principalmente, que o envelhecimento é um processo natural.

O momento em que Jaime se interessou pela questão do idoso coincidiu com a época em que o asilo Dom Macedo Costa começou a ser desativado. Ele resolveu, então, se aproximar do local para analisar uma série de questões. "Queria saber quem era aquele interno, porque ele estava lá. Era a única alternativa? A única alternativa para ele ou para a família?" O processo de decadência culminou com a transferência dos idosos para outras unidades de atendimento.

O estudo aponta que a trajetória até o asilo tem uma única causa: a rejeição. Essa rejeição tem várias motivações: a falta de tempo, as condições da vida moderna. "Na verdade, existe uma série de coisas que podem servir como tentativa de justificativa. Mas o que acontece é um individualismo exacerbado, prejudicando quem não representa mais o paradigma de indivíduo proposto pela sociedade", diz o professor.

O abandono é uma queixa muito freqüente nesses casos. Filhos e parentes deixam o idoso no asilo e passam anos sem visitá-lo. O pesquisador lembra que um dos casos mais marcantes foi o de uma senhora deixada no local pelo filho, com a promessa de que ficaria lá por quinze dias. A justificativa era uma reforma na casa da família, que poderia ser prejudicial à saúde da idosa. Passaram-se nove anos até o dia da entrevista e ela ainda aguardava o dia de voltar pra casa.

Muitas mulheres entrevistadas nasceram no interior do Estado e se encaminharam para a capital em busca de trabalho. Elas se empregaram como domésticas em residências de Belém e ficaram a vida toda na casa de uma mesma família. Depois de ajudar na criação de filhos e netos, chegou a velhice e, então, essas pessoas não tinham mais condições de arcar com os afazeres domésticos, sendo encaminhadas para o asilo. A essa altura é muito comum que elas não mantenham seus laços familiares originais.

"A sociedade esconde o idoso porque na verdade não consegue se ver no idoso. É como se ela estivesse rejeitando aquilo que ela é. Ele representa uma parte dela não aceita. E o pior é que muitas vezes isso envolve agressão. O Instituto Brasileiro de Ciências Criminais fez um estudo sobre a violência e viu que cerca de 650 mil idosos são agredidos a cada ano", avalia o pesquisador.

Segundo Jaime, apesar de seu papel desconstrutor, o asilo faz emergir a possibilidade de reconstrução de um novo mundo social para o idoso. Porém, isso acontece em uma dimensão mais restrita. "Eles encontram formas de se relacionar, de ter amizades, namoros, como inimizades também. Não podemos dizer que eles têm uma vida social comum porque é como se vivessem num mundo paralelo. Você tem uma vida, mas não é a que tinha antes. Por isso escolhi esse título para a dissertação. É como se eles fossem exilados para um outro local, de costumes estranhos, pessoas estranhas... Então, precisam se readaptar", conclui.

Segundo o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje são mais de 14,5 milhões de brasileiros com mais de 60 anos. Daqui a 25 anos, esse número deve dobrar. Serão cerca de 30 milhões de idosos vivendo no Brasil, quase a população atual do Estado de São Paulo. O envelhecimento da população brasileira em ritmo acelerado torna a questão dos idosos asilados ainda mais contraditória.

Asilo escondia idosos abandonados na periferia da cidade

O asilo Dom Macedo Costa funcionou do início do século XX ao início do século XXI. Segundo Jaime, foi construído justamente para retirar da visibilidade da sociedade aquelas pessoas ou grupos de indivíduos que não combinavam com a estética de uma cidade que estava se desenvolvendo com as riquezas advindas do Ciclo da Borracha. O asilo surgiu na administração Antônio Lemos. "Ele faz uma reformulação estética na cidade e nessa reformulação estética não cabia o idoso, o mendigo, o miserável de um modo geral", explica o pesquisador.

Inicialmente eram colocados no local os miseráveis de um modo geral, os pobres, independente da idade. "Um detalhe marcante é que o prédio do asilo ficava em um dos locais mais afastados da cidade, a saída da cidade, um lugar ermo. Os mendigos, os idosos abandonados representavam a periferia social. Eles eram descartados para a periferia geográfica", conclui.

 Tatiana Ferreira

quinta-feira, 15 de março de 2012

Idoso de 86 anos cursa matemática em faculdade federal e dá exemplo

Aos 86 anos e com força de vontade para encarar os estudos, o aposentado Bartolomeu Queiroz começou a cursar matemática na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). As aulas tiveram início na semana passada, no campus de Aquidauana, a 143 km de Campo Grande.
Durante a vida profissional, Queiroz foi pedreiro, carpinteiro, mestre de obras e motorista de caminhão. A dificuldade para conciliar trabalho e estudo e a necessidade de sustentar a família fizeram com que ele abandonasse a escola cinco vezes, ao longo da vida. “Parei de estudar porque eu fazia viagens com o caminhão e não tinha tempo”, disse. A volta aos estudos foi a realização de um sonho, segundo o aposentado.
Para conseguir a vaga na universidade, Queiroz cursou o Ensino de Jovens e Adultos (Enseja) em uma escola pública em frente à casa dele, em Anastácio, cidade vizinha a Aquidauana. Depois de obter o certificado, fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e conseguiu a aprovação para o ensino superior. O aposentado diz que escolheu a matemática pela facilidade que tem com números.

Reunião debate política pública para o idoso e reúne autoridades na Secid

Na tarde desta quarta-feira (14), a Secretaria da Cidadania (Secid) recebeu a presença de diversas autoridades para debater a política pública de atenção ao idoso. Entre os participantes estava o promotor de Justiça, Dr. Jorge Alberto de Oliveira Marum, o presidente do Conselho Municipal do Idoso Luiz Antônio Gonçalves Gildes, e o responsável pela Delegacia do Idoso em Sorocaba, Dr. Silvio Vicentim, delegado do 3º Distrito Policial; além de representantes da Polícia Militar, da Secretaria da Saúde (SES) e demais membros do conselho e da Secid.

No encontro, o grupo debateu o fluxograma de como melhorar o tratamento a esta parcela da população e evoluir nos cuidados ao idoso, além de destacar os pontos positivos e negativos dos sistemas implantados atualmente na cidade; ou seja, que de deve melhorar e o que se pode melhorar ainda mais.

Ao final, foi decidido que o próximo encontro deverá estar presente o secretário da Saúde, Ademir Watanabe, para ajudar no debate às buscas de avanços no atendimento deste setor junto aos idosos. Também serão convidados para a reunião os representantes de entidades sociais conveniadas com a Secid para também exporem suas ideias e dificuldades.

"É muito importante esse tipo de reunião de política pública para solucionarmos os problemas do idoso em Sorocaba", afirmou a secretária da Cidadania, Maria José de Almeida Lima, que destacou que os encontros deverão acontecer mensalmente e "visam à solução de problemas que atingem as pessoas da terceira idade, gerando, assim, melhor qualidade de vida para elas".

sexta-feira, 9 de março de 2012

PASSAGEM GRATUITA EM AVIÃO PARA IDOSO DE BAIXA RENDA

Projeto que explicita a obrigação das empresas aéreas de reservar nas aeronaves duas poltronas gratuitas para idosos com renda de até dois salários mínimos FOI APROVADO nesta quinta-feira (8) pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI). O texto segue para a Comissão de Direitos Humanos e Legislação participativa (CDH), onde será votado terminativamente.
O autor da matéria (PLS 482/2011), senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), explica que o Estatuto do Idoso (Lei10741/2003) já assegura a reserva de dois assentos gratuitos para esse segmento da população no sistema de transporte coletivo interestadual, sem especificar a modalidade de transporte.
Já o decreto que regulamentou a lei (Decreto5.934/2006) estabelece o benefício para transporte rodoviário, ferroviário e aquaviário, deixando de fora o transporte interestadual aéreo. Para o relator, trata-se de grave equívoco, dada a dimensão continental do país, a carência de boas estradas e as limitações de ferrovias e hidrovias.
Em seu voto favorável, o relator, senador Jayme Campos (DEM-MT), reafirmou que os idosos de baixa renda têm direito a duas vagas gratuitas em qualquer transporte coletivo interestadual, inclusive o aéreo, lembrando ainda que a lei também assegura descontos quando as vagas gratuitas já estiverem ocupadas.

Iara Altafin e Teresa Cardoso
Agência Senado

quinta-feira, 8 de março de 2012

DIA DA MULHER: ELIANA CALMON

Eliana Calmon Alves,jurista brasileira, ministra do Superior Tribunal de Justiça desde junho de 1999. Desde setembro de 2010 é a corregedora nacional do Conselho Nacional de Justiça.
Foi ministra substituta do Tribunal Superior Eleitoral entre 2008 e 2010.Bacharelada em Direito pela Universidade Federal da Bahia, 1968.
Curso de Especialização em processo pela Fundação Faculdade de Direito da UFBA, 1982.

Atividades profissionais

Procuradora da República no Estado de Pernambuco, por concurso público de provas e títulos, 1974/1976.
Procuradora da República na Subprocuradoria Geral da República, 1976/1979.
Juíza Federal na Seção Judiciária da Bahia, 1979/1989.
Juíza do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, 1989/1999.

Defesa do CNJ

Em setembro de 2011 iniciou uma polêmica nacional ao criticar a tentativa de esvaziamento dos poderes correcionais do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) por interesses corporativos do poder judiciário.

luta moralizadora da corregedora do Conselho Nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, a cujo trabalho o blog vem dando destaque, está produzindo resultados. Leiam a reportagem abaixo, de Mariângela Gallucci, do Estadão, para constatar isso — sem se esquecerem de que a aposentadoria compulsória é a pena máxima administrativa a que estão sujeitos os magistrados.

No caso a que se refere a reportagem, o do desembargador Roberto Wider, ex-corregedor-geral do Tribunal de Justiça do Rio — justamente o magistrado destinado a coibir abusos e mesmo crimes de colegas –, se seu comportamento configurar crime ele será processado, julgado e poderá ir para a cadeia.

Desembargador do Rio recebe pena máxima por ligação com lobista

Roberto Wider foi punido com aposentadoria compulsória pelo CNJ após órgão ter vencido batalha no Supremo

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu ontem, por 12 votos a 2, aposentar compulsoriamente o desembargador Roberto Wider, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). A aposentadoria compulsória representa, na esfera administrativa, a pena máxima para magistrados que cometem irregularidades.

Afastado do cargo desde 2010, Wider foi acusado de favorecer um lobista amigo, Eduardo Raschkovsky. Uma das suspeitas era de que, como corregedor, ele teria nomeado para o comando de cartórios dois advogados que tinham ligação com esse lobista.
Autora do voto que prevaleceu no julgamento, a corregedora Eliana Calmon concluiu que houve tráfico de influência. Segundo ela, o desembargador feriu os princípios da legalidade, da impessoalidade e da imparcialidade.

Unanimidade. Em janeiro de 2010, o Conselho Nacional de Justiça havia aprovado, por unanimidade, o afastamento preventivo do desembargador – que, na época, era corregedor-geral do TJ fluminense.

A abertura do processo contra Wider decorreu de uma série de reportagens publicadas pelo jornal O Globo, nas quais era apontado o seu envolvimento com Raschkovsky. O empresário, afirmava o jornal, usava sua influência junto a magistrados para favorecer seus sócios.

Entre as denúncias que levaram à abertura do processo estava a nomeação – sem concurso – de dois advogados para titulares, respectivamente, do 11º Oficio de Notas do Rio e 6º Ofício de Justiça da Comarca de São Gonçalo, no interior do Rio.

(O julgamento do desembargador ocorre depois de, no dia 2 passado, o Supremo Tribunal Federal não acatar ação de associações de magistrados que pretendiam cortar as asas e boa parte do poder de investigação e punição do Conselho Nacional de Justiça, cuja corregedora, ministra Eliana Calmon, vinha sendo acusada de abuso de poder).

Dados Pessoais
Nome: Eliana Calmon Alves.
Data de Nascimento: 5 de novembro de 1944.
Natural da cidade de Salvador/BA.
Posse: 08 de setembro de 2010
Término do Mandato: 07/09/2012

Formação
Bacharela em Direito pela Universidade Federal da Bahia (1968) e especialista em processo pela Fundação Faculdade de Direito da UFBA (1982).

Funções
• Ministra do Superior Tribunal de Justiça, desde 30/6/1999;
• Ministra Substituta do TSE (biênio 2008/2010);
• Colaboradora das ONGs ABMCJ E CFEMEA.

Principais Atividades Exercidas
• Juíza do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (1989-1999);
• Juíza Federal na Seção Judiciária da Bahia (1979-1989);
• Procuradora da República na Subprocuradoria Geral da República, 1976/1979;
• Procuradora da República no Estado de Pernambuco, por concurso público de provas e títulos (1974-1976);
• Professora de Direito Civil da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Salvador (1982-1989);
• Professora de Direito Processual Civil da Fundação Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (1982-1989);
• Professora de Direito Processual Civil da Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal-AEUDF (1977-1979);
• Professora, Auxiliar de Ensino, por concurso público de provas e títulos na disciplina de Direito Processual Civil (1972/1974).

BRASÍLIA - LIMINAR PARA MANTER IDOSO EM UTI

A Defensoria Pública do Distrito Federal, conseguiu uma liminar que determina à Fundação Assefaz que mantenha um de seus associados internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Santa Luzia. De acordo com o defensor público Cláudio Ribeiro Santana, "o assistido foi internado em estado grave no Hospital Santa Luzia e transferido para a UTI, sendo que a Fundação Assefaz teria emitido declaração permitindo sua internação somente pelo período de 12 horas, sob a alegação de que o assistido ainda estaria cumprindo o prazo de carência do plano de saúde."
O defensor ajuizou uma ação declaratória com pedido de liminar para que a Fundação Assefaz autorizasse e arcasse de forma integral com o tratamento de urgência do assistido, uma vez que a legislação vigente é contrária à restrição do atendimento hospitalar em situações de urgência, mesmo durante o prazo de carência do plano de saúde.

Extraído de: Defensoria Pública do Distrito Federal

quarta-feira, 7 de março de 2012

Amir Haddad

Amir Haddad (Guaxupé MG 1937). Diretor e ator. Dirige grupos alternativos na década de 1970 fundamentando uma linha de trabalho significativamente pesquisada por essa geração: disposição não convencional da cena; desconstrução da dramaturgia; utilização aberta dos espaços cênicos; e interação entre atores e espectadores. Essa linha de pesquisa se sedimentará no seu trabalho como diretor a partir da fundação do Tá na Rua, em 1980, grupo que encabeça até hoje.

Sai de Rancharia, interior de São Paulo, em 1954, para estudar na capital. Em 1957, interrompe a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, onde tem como colegas José Celso Martinez Corrêa e Renato Borghi, que o convidam para dirigir Cândida, de Bernard Shaw. Participa da criação do Teatro Oficina, trabalhando em A Ponte, de Carlos Queiroz Telles, e Vento Forte para Papagaio Subir, de José Celso Martinez Corrêa, ambas em 1958. Em 1959, ainda com o Oficina, participa, entre outras, de A Incubadeira, de José Celso Martinez Corrêa, que lhe vale seu primeiro prêmio de melhor direção.

Desligando-se do Teatro Oficina, segue em 1961 para Belém, no Pará, realizando uma série de trabalhos para a Escola de Teatro de Belém. Em 1965, o Teatro Universitário Carioca o convida para dirigir O Coronel de Macambira, de Joaquim Cardoso, e Amir acaba por permanecer no Rio de Janeiro. Lá é um dos fundadores do grupo A Comunidade, sitiado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, que se projeta em 1969 com o espetáculo A Construção, de Altimar Pimentel, atribuindo a Amir o Prêmio Molière de melhor direção. Em 1970, realiza mais dois espetáculos com o grupo: Agamêmnon, de Ésquilo, e Depois do Corpo, de Almir Amorim. No mesmo ano, ganha o segundo Molière, com O Marido Vai à Caça, de Georges Feydeau. Em 1972, no Rio de Janeiro, segundo o crítico Yan Michalski, "apenas um espetáculo de grandes méritos e força de personalidade salva a honra da temporada: Tango, fascinante fábula moral e política do polonês Slawomir Mrozec, que Amir Haddad dirigiu com alegre soltura, num tom que oscilava entre farsa rasgada e ópera bufa, mas sempre com um fogo de artifício de idéias diretoriais..."1 Tango é uma produção da atriz Tereza Raquel, em que Amir ganha o prêmio Governador do Estado de melhor diretor. Com o Grupo de Niterói, faz SOMMA, no Teatro João Caetano, 1974, espetáculo que continua as experimentações do A Comunidade, chamando a atenção por colocar a platéia no palco, adotando a improvisação como um dos motores fundamentais da cena. Em 1980, funda o Tá na Rua, fazendo apresentações de rua baseadas em cenas de criação coletiva. Em 1984 estréia com o grupo o espetáculo Morrer pela Pátria, de Carlos Cavaco, encenado por mais de três anos, contribuindo para a pesquisa de demolição da linguagem do teatro convencional do conjunto, que desemboca no seu trabalho de teatro de rua.

Realiza, também, trabalhos no teatro comercial, que lhe valem o Prêmio Shell por Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar em 1989; e o Prêmio Sharp, por O Mercador de Veneza, de William Shakespeare, em 1996. Dirige, ainda de Shakespeare, Noite de Reis, em 1997; e O Avarento, de Moliére, em 2000.

Como professor trabalha de 1961 a 1964 na Escola de Teatro do Pará, em Belém, e a partir daí a atividade docente é permanentemente exercida. De 1966 a 1973 dá aulas no Rio de Janeiro na Escola de Teatro da Federação das Escolas Federais Isoladas no Estado do Rio de Janeiro, atual Universidade do Rio de Janeiro, e entre 1965 e 1978 na Escola de Teatro Martins Pena. Trabalha na Formação do Núcleo de Teatro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, de 1992 a 1995, além de aplicar cursos em muitos eventos de artes cênicas no país e no exterior, sendo, inclusive, pedagogo convidado da Escola Internacional de Teatro Latino-Americano e Caribe, em Havana.

A partir da década de 1990, Amir aprofunda suas pesquisas de teatro de rua, fazendo diversas encenações de Cortejos e Autos pelo país, movimentando milhares de pessoas nessas encenações, tendo quase sempre presente alguns dos integrantes do Tá na Rua.

A capacidade de transitar com a mesma desenvoltura entre produções convencionais e megaespetáculos populares faz de Amir um diretor singular no cenário do teatro brasileiro contemporâneo.